domingo, 21 de agosto de 2011

Versos Joberianos


O outro lábio do telefone
embrulhava proparoxítonas encantadas.


segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Japu


Eu era quase manhã
quando o pássaro do sol
carregou a solidão
no arco-íris das horas.




terça-feira, 9 de agosto de 2011



Ventre doce
e saliva.
O amor liquidou-se.

Por Érica e Jober

sábado, 23 de julho de 2011

Oração




Senhor,
dai-me a disciplina doce
e a flexibilidade dura.

sábado, 16 de julho de 2011

Itamar da Silva Beleléu


A dor dança no pau de fita
carmim de tão inflamada
elegante de tão aclamada 
nem Dora, nem Dolores
minhas dores ultra-desamores
chucáio de cascavé.


Reinventar a renda cearense
o beat batuque da polícia da Penha
Tenho dito, nego Dito
Por quoi je ne pas pense a çá avant?
Parangolé de esquina
uma média ao meio dia.


Para então espalavrear canções
decompor lágrimas em sal
acalentar as orquídeas no quintal
e ser o marginal maldito
poeta-não, poeta-talvez
anti-compositor sem vez.


Tenho dito, nego Dito.





sábado, 2 de julho de 2011

Deleite



Seu corpo moço
meio lenda causo inteiro
olhos de canção
minha boca é sua sem te tocar
Vermelho
Meu pé se arrasta
flamengo embaraçado
em rendas de desejo
meios seios te calam
e tudo se derrama em penumbra
Retrato emoldurado em segredo
guardado sob minhas saias
e de pronto revelado
na surdina inquieta das minhas palpitações
rasgando a noite silenciosa
em desvarios multicores.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Mon Cher - 1845



Escreva na demora das horas
nas inclinações do dia
nas derivações da tarde.


Escreva sem linha reta nem honra
segurando seu porta-estandarte
resvalando agonia torta.


Escreva com dignidade
sobre palavras desvalidas
meretrizes da montanha
(putas tristes em carmim).


Escreva delicadezas insignificantes
o piscar de olhos da borboleta
a insensatez do vento
o tédio das pedras.


Escreva sem perceber
que a vida dura escorre pelas coxas
e versa pelas pernas.


Escreva sem caráter
para que uma dor qualquer
venha lhe dar credibilidade, mon cher.